domingo, 18 de julho de 2010

Paula

Paula era uma garota das noites cariocas, era a estrela do puteiro. Era perfeita! Sabia dançar, pular, beijar... excitava-nos como nenhuma outra. Tinha um fogo, mais um fogo que não se encontra em qualquer uma. Aquela sim era uma boa puta. Com ela eu casava. Sim, eu casava. Sei que teria um bom sexo todos os dias.

Todas as noites o puteiro enchia, só para admirá-la, sim, extraordinária. Ah aquela sim que era uma puta.
Quer saber os detalhes daquele corpo atraente e excitante? Bom, era fenomenal! Que pele morena, cabelos completamente pretos, olhos castanhos, lábios carnudos, mãos delicadas - ela sabia trabalhar bem com as mãos, mãos e bocas - e aquelas coxas? Nossa! Não eram coxas, eram obras de arte. Sim, incríveis coxas, macias, morenas... excitantes. Paula era tudo de melhor! Nunca vi uma mulher igual aquela.

Sim. Aquele era um belo corpo. Aquilo era uma mulher, uma máquina de fazer sexo, e que sexo. Como esquecer a primeira vez? Ainda mais com uma mulher daquela. Não canso de afirmar: Paula era a melhor puta, e que puta!
Sim, foi com ela que perdi, foi com ela que gozei pela primeira vez. Sim, naquele corpo que meus lábios, minha língua, meus dedos passearam. Ah aqueles seios deslizando sobre o meu pequeno e frágil corpo, aqueles dedos amaciando meu recém-descoberto brinquedinho.
Paula, Paula, você foi a melhor puta que conheci! Me arrepio só de lembrar daquele momento.

Paula sabia me excitar. Sim, ela sabia transar. Não, não canso de afirmar: Ela foi a melhor puta! Não posso negar! Tive um tremendo medo de broxar. Com aquele corpo? Qualquer homem se sentia ameaçado. Qualquer homem se sentia indefeso. Qualquer homem entrava em desespero.
Mas eu fiquei firme, fui viril até o fim.

Ela foi percorrendo meu pequeno corpo, vagarosamente, beijando-me intensamente, sem parar. Foi cruzando suas pernas nas minhas, pegando as minhas mãos e colocando-as naqueles intrigantes seios. Acompanhava as minhas mãos integralmente no seu corpo, fazia-me delirar antecipadamente. A cada momento que se passava eu perdia os sentidos, ficava extasiado, como se estivesse usando alguma droga. Mas não existia droga melhor que aquela puta, não existia.
Aos poucos fomos mudando de lugar, posição, ela sentou-se sobre o meu indefeso brinquedo, lentamente. Eu transpirava incessantemente, meus olhos não paravam num ponto fixo. Que loucura. Que puta. Que Paula.

Depois de alguns movimentos repetitivos, Paula deitou-se sobre o meu corpo - um corpo muito frágil, sim, eu tinha apenas treze anos, possuía um corpo infantil - e cada vez mais o atrito entre os nossos corpos aumentava. Segundo por segundo eu me sentia drogado. Paula não parava, mas eu não queria que ela parasse. Eu queria que continuasse, nunca tive aquele prazer.
Ah que puta! Que Paula maravilhosa! Me fez gozar, me fez gozar pela primeira vez.
Não parava de subir e descer sobre o meu corpo, não parava de me dar prazer, não parava de me excitar... que puta! Ah nunca vou te esquecer.

Até que chegou o ponto do gozar. Nossa! que gozo, que prazer! Sim, ela admitiu - nunca desvirginei alguém com tamanho prazer. Ah Paula, nunca vou te esquecer. Me arrepiou até os pentelhos. Foi a melhor puta que já conheci. Paula foi a Puta! Que puta! Não, não canso de falar: Paula foi a melhor puta!

Infelizmente Paula foi morta. Mas não fiquei triste. Ela morreu sentindo prazer. Paula morreu fazendo o que melhor sabia fazer: sexo.
Paula foi asfixiada enquanto desvirginava um carinha de quinze anos.

Mas eu sei, ela me falou que eu fui a melhor transa dela!
Paula, você foi a melhor puta que já tive. A melhor transa que já pratiquei.
Você foi a melhor puta, e que puta!


Jônatas Mário Morais.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Esperar; Esperança; Confiança.

É uma terça sem nexo,
Uma semana tensa,
Densa.

Noites frias e silenciosas,
Segundo por segundo,
Pensamento por pensamento.

Solidão delirante.

Basta este instante,
Distante.
Minhas noites, minhas.

Partículas circulam no quarto,
Caem nos nossos lençóis.
Deito.

Deleito-me do passado,
Volto a ausência,
Perco a consciência.

É triste.
É tenso.
É nosso.

Vibrações intensas,
É o tremor do meu corpo,
Tenso.

Denso.
Sento.
Penso.

Acredito que penso,
Acho que sinto,
Entendo que pressinto.

Compreendo,
Acredito,
Insisto.

Seu interior, meu.
Meu interior, seu.
Intrínsecos somos.
Denso.

Falta uma:
Saudade.
Seu espaço está aqui.

É tenso;
É denso;
É meu;
É seu.

É nosso.

É saudade;
É esperança;
É a distância;
É você.

Sustento meu corpo,
Difícil.
Mas aguento firme.

Chegou ao fim.
Mais um mês assim,
Tudo desabará.

Denso.
Sento.
Penso.

Jônatas Mário Morais

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Basta acreditar que sim

São palavras falsas, eu sei.
Apertos forçados, eu sei.
Momentos duvidosos, sabemos.

Não adianta mentir,
Disfarçar desejos.
Arrependimento vem depois.

É um misto de culpa,
Frustração incontida,
Tentação desenfreada.

Compulsão neste objeto,
Abraçar, Beijar, Ouvir... Sentir.
Reflexo, este é o seu.

Jônatas Mário Morais

Passos

Seguem os versos mais perversos,
Seguem as lágrimas mais salgadas,
Escorre o sangue mais consistente,
Cai o meu corpo, tão levemente.

Tão frias são minhas noites,
Tão calmas são minhas manhãs,
Com tão poucas pessoas,
Um curto tempo só meu.

Cinco manhãs seguidas para mim.
Um caminho que só eu sigo, pensante.

Tardes tão engraçadas.
Vezes tão chatas, densas, insuportáveis.

Mas o que posso fazer,
São momentos da vida,
São momentos que não posso desprezar.
São dias, dias... anos e anos,
Uma vida inteira para aproveitar.

Jônatas Mário Morais

sábado, 5 de junho de 2010

Manhã de domingo

Está se perguntando o que essas pessoas fazem ao seu redor. Não entende como consegue ver o seu corpo parado, sem nenhuma ação, com um cobertor de flores, um travesseiro de rosas.
Corre por entre os colegas, amigos, vizinhos, até chegar aos pais. Abraça-os, mas não tem o retorno. Energia fora da matéria, essência fora de uma forma.
Percebe que não está mais ali: matéria, corpo, ser animado. Agora só está nas lembranças, nos momentos marcantes, e até mesmo nos instantes de dor.

Agora é o momento que antecipa o guardar, são as palavras que deveriam ser ditas ainda quando estava vivo, mas é tarde. Começa então a oratória, as palavras de consolo, o chorar dos compadres, o abraçar dos familiares, as palmas cada vez mais fortes.
Caminham até o corpo, fazem-lhe as últimas carícias, sussurram como se ele ainda estivesse presente naquela casca, molham-no com as lágrimas que escorrem rapidamente pelo rosto decadente. Admiram apenas o invólucro, a essência não está mais ali.

Depois do momento de despedida, chega então a hora do guardar. Firmemente seguram as alças, caminham até a gaveta, e vagarosamente guardam a caixa, e aos poucos jogam as flores. Então a gaveta é fechada. Abraçam-se simultaneamente, dividem a dor da perda, entendem que agora acabou, que é tarde para qualquer tentativa de desabafo, abraço, beijo sufocado.
Lembrarão para sempre deste momento, deixarão para sempre aquele ser ali, guardado, lacrado, sepultado.


Jônatas Mário Morais