domingo, 11 de dezembro de 2011

Diálogo ou monólogo - Parte II

- Alô, é o Pedrinho?
- Não, não. Aqui é o Paulo. Quem fala?
- Ah! é um amigo dele... O Fernando.
- Prazer, sou o primo dele. Quer deixar recado? Ele foi dar uma volta na praia.
- Nada demais. Só diz que estou mudando de cidade, e ele tem que pegar as roupas, os livros, as cartas e tudo mais que me faça lembrar dele. Diz também que mandei um forte abraço, e que tão cedo não nos veremos.
- Tranquilo. Darei o recado. Boa viagem.
- Obrigado.

Jônatas Mário Morais

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Calmaria

Passou. Afirmo sem o menor arrependimento, angústia ou aperto forte no coração, como já tivera outrora. Já não trago comigo aquele sentimento profundo que nutrira por ti, pois deixei tudo para trás, como se nunca tivesse vivido.

Acabei por jogar todo o amor em sentido oposto ao meu caminhar, e o vento encarregou-se  de encobri-lo com areia. E o mar envolveu-me de tal maneira que afagou meu espírito, meu corpo. Flutuei por sobre as marolas calmas e tranquilizantes que ousavam tocar-me o corpo. Descansei em paz durante séculos, tão somente a tua espera.


Jônatas Mário Morais

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Parte de nós

Ainda busco seu cheiro, suas roupas... qualquer coisa que faça você estar mais próxima de mim. Permanecer nesta casa vazia é tenso. Ocupar esta cama de casal é impossível, são necessários dois corpos, juntos, como sempre estivemos.

As quintas à noite eram reservadas só para nós. Abríamos duas ou três garrafas de uísque, fazíamos o jantar, juntos, e ainda tragávamos um bom Hollywood na varanda, onde costumávamos deitar e admirar a rua mansa e a lua cheia.
Nada mais será possível, meu bem. Ficaram apenas resquícios de uma paixão ardente, que me deixou atordoado, numa vibe completamente nova e alucinante.

Neste momento, reservo-me no quarto, bebendo, fumando e escrevendo a última carta que traz detalhes que só nós sabíamos, segredos bons, perigosos e excitantes. Verso sobre um amor puro, cristalino, que só me trouxe paz e alegria. Agora, meu bem, trago este cigarro como se estivesse absorvendo a minha, a tua, a nossa vida.


Jônatas Mário Morais

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Infinito

As folhas já não vibram como antes.
Já não há palavras no peito,
nem amor.
E tudo ficou perdido na imensidão do tempo.

Jônatas Mário Morais.