quinta-feira, 3 de março de 2011

Mentira é para os fortes

Mentir é coisa dos deuses, amor. Mentira é para quem é forte. Eu nunca menti, sou fraco. Nunca menti pra você, pro Paulinho, Paula ou Patrícia. Nunca menti pra ninguém. Sou fraco, amor.
Pensei em mentir, mas só de pensar me enfraqueço mais. Só de pensar em mentir que pensei em mentir um dia, eu morro. A fraqueza é intensa, forte, completamente dominante.
Eu não minto, acredite. Mentir é privilégio dos fortes, dos que não amam, dos que não sentem um vidro entrar nos pés e, se sentir, não choram.
Mentir é para os fortes, amor. Acredite. E você sabe, eu nunca fui forte.



Jônatas Mário Morais.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Treze 10

As mãos tentam impedir a todo custo uma aproximação ousada, que demonstre uma intenção mascarada pela generosidade.
Os dedos chegam cada vez mais perto, cada vez as mãos trêmulas, um pouco úmidas, tocam-lhe uma pequena parte do braço direito.
Desperta rapidamente de alguns segundos de cochilo; afasta a cabeça da janela; abre os olhos assustados; suas mãos buscam a bolsa, o caderno e alguns livros. Ele, não muito diferente, também se assusta com a reação dela.

Não queria tê-la acordado de tal maneira. Apenas sentir-lhe um pouco, antes de preocupar-se efetivamente com um possível mau jeito no pescoço.

- Perdão, não queria te acordar de tal maneira. Explicou, timidamente, o jovem.

- Não, não foi nada. Estava na hora de acordar. Desço daqui a dois pontos.

Depois de um curto diálogo os olhares se perderam.

Levantou-se. Obrigada a olhar nos olhos dele - já que o ônibus estava cheio e ele estava em pé na frente dela - pediu licença. Os lábios pestanejaram, a fala impedida de entrar em ação por causa da sintonia, um medo a dois.

- Claro, pode passar.
Respondeu o rapaz moreno, alto e charmoso – os adjetivos gritavam do pensamento dela, eu ouvi nitidamente.

Fizera questão de deixar visível o horário da faculdade – talvez na esperança de que ele fosse visitá-la, convidá-la para uma balada, ou quem sabe para sua casa. Passou vagarosamente pelo rapaz, o prazer tomava conta. Queria sentir o perfume, a pele, o tórax.
Mesmo com tamanha timidez, passou a barba nas costas da garota assanhada. Arrepios. Caminhou em direção a saída e despediu-se contrariada, com um sorriso avassalador.




Jônatas Mário Morais.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Tensão superficial

Acompanhado de uma garrafa de conhaque, sentado no canto da sala, ainda com a roupa do trabalho – a camisa embebida de suor. Retirei os sapatos - apenas as meias aquecendo meus pés.

Um peso nas costas, na cabeça... Um peso. Conhaque, gelo e um livro. Lendo um desses contos que traz átona o valor da vida - as pequenas coisas que deixamos de fazer, mas que poderiam nos trazer grandes alegrias, dos amores e paixões que deixamos passarem despercebidos.

Alguns instantes sentado. Aos poucos fui relaxando, até estar completamente jogado na poltrona. Observava o copo transpirar, o gelo circulando. Nenhuma música clássica, nada tocando. Mas continua a dançar. Direita, esquerda; esquerda, direita; círculos. Prosseguia até o instante em que o interrompia e diminuía o volume de conhaque.

Minha mão, úmida e gelada, encarregava-se de direcionar o copo aos meus lábios sedentos de álcool. O gelo disputava lugar com o conhaque, mas eu preservava-os lá, queria observá-los. Duas ou três pedras - não tão frias quanto eu - derretiam contrariando-me.

Mais conhaque e mais gelo. Um cigarro para tornar o momento mais denso. Tragava profundamente, sem medo. Aprisionava a fumaça dentro dos meus pulmões, só liberava quando se tornava insuportável.
Um sopro. Uma nuvem negra cobria a cabeça, não diferente da vida. Apenas uma analogia concisa. Perdia-me diante de mim mesmo.

O primeiro cigarro próximo do fim; os problemas tão somente no começo.
Entre os dois, até chegar ao fim... Até queimar os dedos. Um pouco de gelo para esfriá-los; um pouco de dor para lembrar de mim; um pouco de angústia para fortalecer o momento; um pouco de sofrimento para beber mais.



Jônatas Mário Morais.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Nossos pequenos monstros

Entre as linhas absurdas que tracejo, talvez estejam escondidos monstros terríveis. Talvez, quem sabe, estes monstros sejam uma releitura de mim mesmo. Ou quem sabe uma releitura das criaturas que cercam o meu mundo.

Estão por todos os lados, em todos os cantos, superfícies e orifícios.
Sim, acredite! Podem estar agora mesmo atrás de você, do seu lado, na sua cama, no seu sofá, na sua sala, dentro das suas gavetas, do seu guarda-roupa, no seu sapato ou até mesmo dentro de você.

Eles, os monstros, são imprevisíveis. Atacam sorrateiramente enquanto você toma banho, come, estuda, dorme, namora... Enfim, eles atacam mesmo!
Não tenhamos medo, pois, um dia, não sobrará um sequer. Serão dizimados pelos antimonstros. E quem são os antimonstros? Posso ser um; você pode ser um; qualquer um que não seja um monstro, pra mim ou pra você, poderá ser um antimonstro.


Jônatas Mário Morais.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Querido Jhôn!

Inconstante, um ser permanentemente mutável, contemplador de atitudes abstratas e conhecedor dos sentimentos mais que concretos. Uma alma, que dentre tantas outras funções, conquista. Constrói mais que estradas: determina os caminhos e guia aqueles que estão com ele. Aqueles como nós que o observamos inquietamente e detalhadamente, tentando descrevê-lo e percebendo aos poucos que a forma que nós o vimos difere de todas as outras. Um ouvidor, um sonhador, um poeta encantador escondido entre as palavras que jamais transmitem o que ele é, só impulsionam o que ele sente. E de repente nós, apenas nós, sabemos de fato como é perfeito, o nosso "homem perfeito". De tanto nos foi questionado: O que ele tem de tão diferente? E sem mais, sem menos, nós responderemos... Ele é excepcionalmente um alguém, . Generoso, carismático, engraçado, solidário e solitário. Um Romântico esperançoso, atencioso e indubitavelmente gentil. Um alguém que aparenta sede de viver, sede de vitória, de carinho e principalmente de cumplicidade. Um alguém amigo, que guarda toda e qualquer palavra que lhe é dita como um tesouro que só ele tem o mapa. Um contraste entre o simples que se demonstra perfeitamente a primeira vista, da forma como tanto os conheceram (inclusive nós) e o complexo, que pode ser entendido por quem o conhece e o entende, mas não pode ser descrito além do que já foi dito. Ele não é um namorado, não é um amigo comum, ou um amor platônico, ele é o nosso conselheiro sentimental, melhor amigo e um irmão, que permanece em nossas vidas e ganha um pouco mais, a cada dia, o nosso amor, a nossa admiração, o nosso carinho, a nossa fidelidade e a nossa paixão. Sim, somos apaixonadas por ele. Pelo o que ele é, pelo o que ele faz, como faz, como se comporta, como sabe ouvir, aconselhar e estar sempre disposto a dar o famoso ombro amigo. Sempre o nosso querido Jônatas Mário Morais.

Bárbara Penacho e Tainá Lima.
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Agradeço profundamente o carinho.
Confesso, sem o menor constrangimento, que lágrimas atrevidamente acompanharam a minha leitura.
Amigos são dádivas. São seres que devemos cultivar, amar e respeitar.